segunda-feira, 11 de julho de 2011

Assembleia Municipal IV

Ponto n.º 3 da Ordem de Trabalhos


Cidades Romanas


O CDS não poderá deixar de votar favoravelmente a adesão da cidade de Braga ao AEIE das cidades romanas do atlântico. E dizemos bem aderir porque, de facto, pese embora ter sido a Bracara Augusta a mais importante cidade romana do noroeste peninsular, não esteve, mais uma vez, este executivo municipal à altura do passado da cidade que gere. Infelizmente Braga já não será uma das cidades fundadores deste interessantíssimo projecto, nem esteve na linha da frente das cidades que a ele aderiram. Uma vez mais foi a Braga do passado que se impôs à Braga do presente; foram os fundadores deste projecto que intuíram que Braga, fora dele, não faria sentido.
Aliás compreende-se que assim tenha sido e o natural incómodo do actual executivo em matérias de salvaguarda do património, nomeadamente arqueológico, tendo feito pratica corrente durante muitos anos do exercício do facto consumado, onde os vestígios arqueológicos não se salvaram de calendários eleitoralistas bulldozers ou dos interesses imobiliários da uma cidade de patos bravos. De facto, a Braga romana do atlântico já não está, afundada que foi entre o túnel da avenida da liberdade ou ignorada e despedida no novo hospital. No meio entre escavar e o elevar, perdeu-se e ainda se perde.
O que este novo projecto traz é, sem dúvida, a acendalha de uma nova esperança e é a ela que o CDS se quer agarrar. Os objectivos traçados são altamente meritórios e a perspectiva inovadora que se quer aportar, sem perder o rigor e o investimento científico, pelo contrário, colocando-os ao serviço do desenvolvimento da economia local, merece a nossa total aprovação. À semelhança do compromisso já assumido por uma das cidades portuguesas fundadoras, Coimbra, também Braga deve envolver, desde já, as parcerias com a Universidade do Minho e com o Museu D. Diogo de Sousa, para que não fiquemos só limitados a uma imagem virtual e corporativa para promoção turística, produto do marketing, desfasada da realidade, imagem abstracta e teórica, vulgo para “inglês ver” mas que, a partir da perspectiva da construção de uma identidade romana, Braga fomente realmente a investigação histórica e a preservação do património.
Braga tem já exemplos notáveis e inspiradores desta actualidade histórica: veja-se o exemplo das frigideiras do cantinho ou a recuperação do edifício da junta de freguesia da Sé. Tenha o actual executivo camarário humildade para se inspirar neles, porque aquilo que tem entre mãos é, sem dúvida, um enorme potencial legado, cuja justiça está longe de se esgotar na “braga Romana”
A postura do CDS é já conhecida por não se limitar à critica mais ou menos fácil, e continuamos fieis a que, por cada uma destas que fazemos, façamos também uma proposta construtiva.
Das muitas que poderíamos apontar no âmbito deste projecto há uma que partilhamos com muitos bracarenses e que conta alias já com uma notável presença nas redes sociais: vamos reconstruir o teatro romano do alto da Cividade, e que continua a contar com o empenho da Universidade do Minho, cujo departamento de Ciências Sociais, inserido no programa “verão no campus” continua a promover.
De facto, aquela que foi considerada uma descoberta extraordinária, que colocaria a cidade de Braga ao mais alto nível europeu em termos de arquitectura romana, continua parcialmente por escavar. O único teatro a céu aberto de Portugal, e o 2.º cá sabido depois do de Lisboa - a outra cidade fundadora deste projecto, diga-se - continua à espera de merecer a sua escavação integral, de ser restaurado e publicamente usufruído, estando estes procedimentos, desde há anos, unicamente dependentes do interesse dos gestores da coisa publica.
A utilização pública do teatro romano, à semelhança do que acontece em tantos outros teatros do império como aqui na península Mérida ou Saragoça, merecia, tantos séculos volvidos, voltar a ouvir o som das palmas, a sentir os passos dos actores e a falar as palavras dos clássicos, actos com o sucesso elevado à potência que já vem acontecendo com as peças de teatro clássico trazidas à braga aquando do festival de teatro.
O sítio arqueológico do alto da Cividade continua a guardar para si a historia que nos podia contar a todos. A história de dois edifícios públicos de grande dimensão, de construção planificada – imagine-se a novidade que isto não seria para a braga do sec. XXI – que, na linha do também aterrado anfiteatro anexo à ínsula das carvalheiras – já agora quantos de nós é que já fomos lá estreitar ou sequer sabemos da sua existência – constitui a evidência clara do estatuto de prestígio que a nossa cidade mereceu no noroeste peninsular.
Contrariamente às parangonas escritas para a ocasião, o Teatro romano não foi devolvido ao povo em 2007 nem convertido foi aquele espaço em parque arqueológico nacional, nem a envolvente da construção de betão habitacional medíocre, tão típica da braga dos anos 80, foi reabilitada.
Em resumo: não queremos ter mais do mesmo: há dinheiro para túneis, iluminações, para feiras e feirinhas; para proteger o Património Histórico de elevado potencial económico só há crise e publicidade.


Braga, 17 de Junho de 2011
P’ Grupo Municipal do CDS-PP
Tiago Varanda

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